Cash Crunch

Falta de Dinheiro

É evidente que uma empresa pode falhar – ao longo do tempo – devido à diminuição da rentabilidade. Além disso, a falência pode resultar da falta de liquidez disponível, e um mau fluxo de caixa a curto prazo pode ser ruinoso, independentemente de a empresa como um todo ser rentável ou não. 

Quando são oferecidos aos clientes prazos de pagamento alargados, isto pode afetar o fluxo de caixa do vendedor, uma vez que os fundos não estarão prontamente disponíveis para o fornecedor liquidar os seus passivos a curto prazo, render juros na sua conta bancária ou serem reinvestidos na empresa – perde-se assim o custo de oportunidade de ter os fundos antecipadamente.

Pagamentos em atraso

Também é claro que o risco de incumprimento aumenta exponencialmente até que a dívida seja finalmente paga. Muitos de nós já ouvimos dizer que uma venda só é uma venda quando é paga. A crise de crédito pode afetar, direta e indiretamente, o fluxo de caixa a curto prazo das organizações. Neste contexto, poderemos observar mais frequentemente o seguinte: Negociar prazos de crédito alargados. Os clientes podem solicitar explicitamente a extensão de um prazo de crédito, por exemplo, de 60 para 90 dias. Alternativamente, o pedido pode estar disfarçado. Por exemplo, um pedido para alterar de “60 dias” para “60 dias após o final do mês” ou de “60 dias a partir da data do conhecimento de embarque” para “60 dias após a entrega” pode efetivamente acrescentar entre 15 e 30 dias ao prazo de crédito de cada transação. Também se pode questionar por que razão o pedido foi feito.
O cliente está apenas a tentar melhorar o seu próprio fluxo de caixa?
Está a enfrentar dificuldades financeiras na sua própria organização?
Tem pago historicamente em atraso e tem estado a usufruir de uma extensão não autorizada do prazo?
O vendedor também deve considerar qual seria o impacto de um prazo alargado no seu fluxo de caixa e se deve cobrar ao cliente os custos da “oportunidade perdida” por não ter recebido os fundos mais cedo.
Obrigações legais e éticas

Em muitas regiões, através de códigos de conduta internos ou, em alguns casos, orientados por obrigações legais, os compradores de grandes empresas não têm autorização para “intimidar” os vendedores mais pequenos, forçando-os a aceitar condições [de crédito] inaceitáveis. No contexto atual, poder-se-ia esperar uma maior tolerância e um possível recaimento em maus hábitos – o início da crise de crédito traz consigo uma oportunidade para que se negligecem os códigos de conduta, a ética e o jogo limpo

Mesmo nas circunstâncias em que o vendedor tem o direito legal de cobrar juros a um cliente que paga em atraso, arriscaria realmente o vendedor exercer esse direito e desagradar a um cliente de quem possa depender?
Também se pode considerar que uma taxa de juros mínima por atraso não resolverá o problema maior de não ter os fundos imediatamente disponíveis para liquidar quaisquer passivos a curto prazo. Naturalmente, outra abordagem do vendedor poderá ser aumentar o preço inicial e oferecer um desconto para pagamentos antecipados – isto poderá parecer mais positivo do que aplicar uma penalização por pagamento em atraso. Neste caso, o cliente deve desconfiar de ofertas inflacionadas.

Agências de crédito externas

Existem várias agências de crédito externas que podem oferecer verificações/relatórios de crédito e recomendar quanto crédito (se algum) deve ser concedido a uma determinada organização. No entanto, pode-se argumentar que estas agências estão agora a operar em território desconhecido. Estas empresas são suficientemente ágeis para registar rapidamente o impacto da crise de crédito no fluxo de caixa a curto prazo de um cliente? Conseguem acompanhar as variações drásticas das taxas de câmbio USD/GBP/EUR e o seu impacto imediato nas contas de resultados dos clientes? Além disso, os riscos de crédito dos próprios bancos têm sido questionados e o perfil dos riscos políticos/dos países também está a mudar.

Validade dos preços

Muitos clientes solicitam preços fixos para ofertas com prazos mais longos, como um ano. Isto facilita ao comprador o planeamento e a previsão para o futuro. No entanto, com as rápidas alterações no mercado, nos custos (combustíveis, logística e matérias-primas) e nas taxas de câmbio, um fornecedor não pode realisticamente oferecer um preço fixo durante um ano, a menos que, naturalmente, inflacione muito a oferta inicial para cobrir todas as eventualidades.

Numa conjuntura económica como esta, poderá ser prudente o cliente aceitar preços variáveis que acompanhem os custos reais do fornecedor, em vez de concordar com um preço anual pelo qual terá garantidamente de pagar mais do que o justo durante todo o período. Embora grande parte deste artigo tenha abordado os riscos e oportunidades do ponto de vista do fornecedor/vendedor, há considerações que são igualmente válidas para o comprador/cliente.

Pode-se deliberar se um operador envolvido tanto na compra como na venda adotaria uma abordagem justa e coerente em ambos os lados da mesa, ou se aplicará metodologias diferentes para obter a máxima vantagem. É claro que todos os colaboradores devem fazer um esforço concertado para evitar dar motivos que permitam aos clientes adiar o pagamento; por exemplo, reduzindo erros administrativos nas faturas, verificando a embalagem e a rotulagem no envio dos bens, respondendo rapidamente às reclamações de qualidade e cobrando imediatamente o pagamento aos clientes assim que as faturas estiverem em atraso – não adie!

Os colaboradores devem avaliar cuidadosamente o impacto e os riscos quando confrontados com um cliente que solicita prazos alargados, e as novas cotações devem considerar as cláusulas de revisão atuais e os Incoterms 2010. Discussões mais colaborativas e transparentes entre compradores e vendedores poderão aliviar mutuamente a pressão da crise.

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